Ah, ausência que o teu corpo em mim desenha!
São contornos dos sonhos que vivemos;
Memórias desse tempo que inda expremo,
Para extrair o sumo dessa brenha.
Busco teu colo, a solidão desdenha
Da saudade, da dor que eu tanto temo
Sentir dos braços idos, e inda gemo
Ao cheiro forte duma lua prenha.
E nos dobrares dessa noite parda,
Num aceno invisível, vem-me a brisa,
Com tua voz, beijar-me e aos cabelos,
Despir-me de mim, da ânsia que acovarda
Meus passos de seguirem e, indecisa,
Retenho essas memórias com mui zelo.

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