"Visto-me de silêncios a catar versos nas estrelas" (Sonya Muyllaert)

 

07/09/2026

Guardiã do Tempo



Entre dois seios é onde tu deslizas,
Gotejando os segundos, grão a grão.
Escorres por meus dedos: que ilusão!
Pois ris de mim enquanto me ironizas....

No cárcere de vidro te eternizas,
Enquanto a vida segue em contramão.
E eu, cega, crendo ter-te em minha mão,
Vejo que a luz vital já se ameniza.

Assim, qual mágico, sempre me iludes
E a julgar, ao prender-te na ampulheta,
Tu sempre foges qual água corrente.

Quando te penso eterno, és finitude,
Vagando em linhas da alma inquieta,
Perdida em sonhos vãos, inconsequentes.



04/09/2026

Menina Lua




Despertas tal pecado! Tão desnuda!
Contornos de maçã! Alvor de espuma!
O meu sonhar me trazes como a pluma...
Um leve sopro e a noite se aveluda.

Tu vens tomando espaço, tão graúda!
Num apagar de estrelas, tu ressumas
No breu; quanto à maré te desembrumas
Salpicando avelórios... prata miúda!

Translúcida te fazes ao poeta
Que vê tua alma, corpo e sedução!
És sempre a sua Musa predileta!

Mas é com o teu clarão que se aquieta
A ânsia dos sonhos dessa solidão,
No triste seio de quem se fez poeta!

 

27/08/2026

Deixa-me Ficar

Deixa-me Ficar - Soneto de Amor e Saudade


Ó, meu amado, deixa-me ficar!
A noite ainda queima co' as estrelas,
Enquanto as horas... não penso perdê-las.
Neste silêncio perco-me a te amar.

Ó, meu amado, deixa-me ficar,
Pois a ilusão, difícil de retê-la, 
Vai-se co' aurora, perde-se em estrelas,
Morre co' o sol, desfaz o meu sonhar!

Peço-te, então, deixar-me no teu colo, 
Na miragem concreta da saudade
Que a insônia traz e que eu tanto aperolo.

E quando o sol beijar a imensidade,
Levando-me a quimera que acrisolo,
Tu viverás em mim, nesta saudade.