Menina Lua
Despertas tal pecado! Tão desnuda!
Contornos de maçã! Alvor de espuma!
O meu sonhar me trazes como a pluma...
Um leve sopro e a noite se aveluda.
Tu vens tomando espaço, tão graúda!
Num apagar de estrelas, tu ressumas
No breu; quanto à maré te desembrumas
Salpicando avelórios... prata miúda!
Translúcida te fazes ao poeta
Que vê tua alma, corpo e sedução!
És sempre a sua Musa predileta!
Mas é com o teu clarão que se aquieta
A ânsia dos sonhos dessa solidão,
No triste seio de quem se fez poeta!
Sonya Muyllaert
