"Visto-me de silêncios a catar versos nas estrelas" (Sonya Muylaer)

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Estrela Ausente


Estrela Ausente

 Ó tu, que ora és minha amada estrela,
Onde te escondes nesse céu vazio,
Num pálio escuro que ora flui tal rio,
Levando-te à cascata, sem contê-la?

Como posso eu, nu'a noite sem estrela,
Ouvir na solidão teu balbucio
Chegando a mim co' o vento brando e frio,
Trazendo à alma a voz para absolvê-la?

Na noite em que a saudade chega forte e
Pulsa em meu seio, eu corro e abro a janela
Na ânsia de ouvir-te ou algo que conforte

Esta alma que, doída, se rebela
Co' o céu, que se recusa a dar suporte,
Té avivar o ouro da minha estrela.

Sonya Muylaer


Depois da Chuva


Depois da Chuva

Evaporam-se as gotas do passado!
Sobem aos céus, quiçá já perdoadas
Das dores, da saudade aqui deixada,
Do amor não esquecido, mas calmado.

Olhos de sonhos são pingos chorados,
Na muda comunhão da madrugada,
Cujo silêncio é fala acorrentada
No âmago de um amor abençoado.

E hoje há rubor nos lábios tão queridos,
Há renascer na aurora, há esperança,
Novo brilhar nos afetos refloridos.

E nos teus braços, perco-me na dança
Dos copos nus, desse luar bandido,
Do céu que vem brindar nossa aliança.

Sonya Muylaer