"Visto-me de silêncios a catar versos nas estrelas" (Sonya Muyllaert)

 

04/09/2026

Menina Lua



Menina Lua

Despertas tal pecado! Tão desnuda!
Contornos de maçã! Alvor de espuma!
O meu sonhar me trazes como a pluma...
Um leve sopro e a noite se aveluda.

Tu vens tomando espaço, tão graúda!
Num apagar de estrelas, tu ressumas
No breu; quanto à maré te desembrumas
Salpicando avelórios... prata miúda!

Translúcida te fazes ao poeta
Que vê tua alma, corpo e sedução!
És sempre a sua Musa predileta!

Mas é com o teu clarão que se aquieta
A ânsia dos sonhos dessa solidão,
No triste seio de quem se fez poeta!

Sonya Muyllaert
 

27/08/2026

Deixa-me Ficar

Deixa-me Ficar - Soneto de Amor e Saudade

 Deixa-me Ficar

Ó, meu amado, deixa-me ficar!
A noite ainda queima co' as estrelas,
Enquanto as horas... não penso perdê-las.
Neste silêncio perco-me a te amar.

Ó, meu amado, deixa-me ficar,
Pois a ilusão, difícil de retê-la, 
Vai-se co' aurora, perde-se em estrelas,
Morre co' o sol, desfaz o meu sonhar!

Peço-te, então, deixar-me no teu colo, 
Na miragem concreta da saudade
Que a insônia traz e que eu tanto aperolo.

E quando o sol beijar a imensidade,
Levando-me a quimera que acrisolo,
Tu viverás em mim, nesta saudade.

Sonya Muyllaert

05/08/2026

Estrela Ausente

Estrela Ausente - Soneto clássico de Saudae

Estrela Ausente

 Ó tu, que ora és minha amada estrela,
Onde te escondes nesse céu vazio,
Num pálio escuro que ora flui tal rio,
Levando-te à cascata, sem contê-la?

Como posso eu, nu'a noite sem estrela,
Ouvir na solidão teu balbucio
Chegando a mim co' o vento brando e frio,
Trazendo à alma a voz para absolvê-la?

Na noite em que a saudade chega forte,
Pulsa em meu seio, eu corro e abro a janela
Na ânsia de ouvir-te ou algo que conforte

Esta alma que, doída, se rebela
Co' o céu, que se recusa a dar suporte,
Té avivar o ouro da minha estrela.

Sonya Muyllaert

Depois da Chuva

Depois da Chuva - Soneto clássico de Amor

Depois da Chuva

Evaporam-se as gotas do passado!
Sobem aos céus, quiçá já perdoadas
Das dores, da saudade aqui deixada,
Do amor não esquecido, mas calmado.

Olhos de sonhos são pingos chorados,
Na muda comunhão da madrugada,
Cujo silêncio é fala acorrentada
No âmago de um amor abençoado.

E hoje há rubor nos lábios tão queridos,
Há renascer na aurora, há esperança,
Novo brilhar nos afetos refloridos.

E nos teus braços, perco-me na dança
Dos copos nus, desse luar bandido,
Do céu que vem brindar nossa aliança.

Sonya Muyllaert